Salazaristas nós?
É patético que, 35 anos passados do 25 de Abril, ainda haja quem queira acantonar os partidos de direita em Portugal a um passado salazarista. Mais lamentável ainda quando a suposta acusação surge na prosa do Primeiro-Ministro de Portugal, quando acusa a direita de ser «herdeira de um certo espírito do salazarismo».
O argumento é estafado e já cansa. Desde os primórdios da nossa democracia que a direita em Portugal quase que teve de pedir desculpa por existir. Em nenhum outro País do mundo me recordo de um Pacto MFA-Partidos, que condicionou os primeiros anos da nossa democracia. E, excepção feita ao CDS – único partido que não pactuou com a Constituição da República socializante que nos queriam impor – todos os Partidos na época, incluindo o PSD, falavam no rumo para o socialismo.
Eram outras épocas e outros tempos, em que os excessos revolucionários, a ânsia da liberdade e o aventureiríssimo da democracia permitiam esses exageros, essas confusões e mesmo esses dislates.
Hoje em dia relacionar a direita com um passado salazarista é o mesmo que colocar toda a esquerda, PS incluído, como adeptos dos piores torcionários da Humanidade, como Estaline, MaoTsé Tung ou Pol Pot. Ridículo, não?
Deixemo-nos, por isso, de brincadeiras e falemos de propostas sérias. Porque, a irmos por esse caminho, é muito fácil cair na tentação de lembrar o eleitorado que José Sócrates gosta da “liberdade respeitosa”, que o levou, inclusivamente, a colocar processos a jornalistas e bloggers por divergências de opinião.
