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Jul 09

Os portugueses habituaram-se a não discutir assuntos de politica internacional nas campanhas eleitorais. Infelizmente, raramente existe debate sobre estes temas, porventura devido ao amplo consenso que existe em Portugal nas grandes questões (União Europeia, aliança transatlântica ou as relações da lusofonia). Mas numa altura em que partidos defensores de teses radicais (que sustentam, por exemplo, a saída da NATO) sobem nas sondagens e também nos resultados eleitorais, é importante reafirmar as nossas principais orientações. 

Hoje é impensável imaginar Portugal fora da União Europeia. Mesmo aqueles que desdenham desta Europa, ou que a acusam de ser “neoliberal” e “capitalista”, não têm nenhuma alternativa para apresentar. A posição de Portugal na Europa foi reforçada com Durão Barroso como Presidente da Comissão Europeia. Neste momento aguarda-se a aprovação do Tratado de Lisboa, instrumento fundamental para agilizar e melhorar o funcionamento das instituições europeias. E quando o eurocepticismo cresce a passos largos, é imperativo fazer pedagogia nesta matéria. Partilho a ideia que Bruxelas nem sempre tem tido a capacidade de se explicar aos europeus, e em vários episódios se assemelhou a um obstáculo à vida das pessoas. E, obviamente, o formato como o Tratado de Lisboa foi apresentado aos europeus não foi o melhor itinerário para fazer esquecer o desfasamento entre a UE e os cidadãos. Portugal, por exemplo, e como sempre defendeu o antigo líder do PSD, Luís Marques Mendes, perdeu uma oportunidade única para discutir a Europa ao não convocar um referendo. Mas estas dificuldades não podem esconder o papel indispensável que a União Europeia representa hoje na vida dos portugueses. E devem ser reforçados algumas iniciativas positivas que têm vindo a ser desenvolvidas no sentido de aproximar os decisores políticos das pessoas. Como por exemplo, o esforço da Comissão Barroso em desburocratizar e simplificar o processo legislativo comunitário ou as várias campanhas desenvolvidas por toda a Europa para dar a conhecer o seu trabalho. A batalha por uma melhor Europa, mas também por uma Europa mais próxima dos portugueses, deverá ser sempre uma preocupação constante do governo de Portugal.

A aliança transatlântica, e a defesa da NATO como instituição basilar nas relações entre a Europa e os Estados Unidos, é uma componente indispensável da nossa politica externa. Em primeiro lugar a consciência que a manutenção e defesa da paz assenta numa visão onde a Europa e o aliado americano são indispensáveis. E que a correlação de forças da comunidade internacional ganhou novos players globais, e que não devem ser desprezados, mas sim incluídos e cooptados para a causa da paz e da democracia. E tenho defendido o reforço do papel da NATO na resolução de conflitos internacionais. A intervenção no Afeganistão, uma guerra cada vez mais relevante no combate ao extremismo islâmico, e o patrulhamento do Oceano Indico devido à pirataria, tem contado com a presença de forças portuguesas. As nossas responsabilidades na NATO também passam pelo compromisso de participar activamente neste tipo de operações militares.

Por fim, mas não menos relevante, as relações de Portugal com os países de Língua Oficial Portuguesa. E nesta área, o PSD sempre teve um especial empenho nesta relação afectiva, mas também de interesses. Foi durante um governo do PSD que se estabeleceram as bases da CPLP, que viria a ser formada em 1996. O Brasil é hoje uma comunidade de quase 200 milhões de pessoas que falam a nossa língua, e justamente, um pais que tem conquistado o seu espaço na comunidade internacional. Quando o actual Primeiro-ministro gritava “Espanha, Espanha, Espanha, Espanha”, o que deveria ter feito era falado em “Espanha, Europa, Brasil, África. Obviamente isto num sentido retórico, mas Portugal deverá obviamente continuar a aprofundar as suas relações com os países da CPLP, tendo em atenção as virtualidades destes mercados emergentes e a nossa especial vocação atlântica.

publicado por Nuno Gouveia às 01:34

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