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28
Set 09

É conhecida a tendência dos ciclos políticos se prolongarem por dois mandatos. Um fenómeno que resulta por um lado de uma inércia sistémica e resistência à mudança, e por outro lado da percepção pública, enfatizada pelo partido que ocupa o poder, de não ter havido tempo para concretizar os projectos em curso.

Em Portugal este princípio tem sido particularmente evidente nas eleições presidenciais, nas eleições autárquicas mas também já pode começar a ser aplicado (nas legislaturas que terminam o seu mandato) às legislativas. Apenas seguindo este princípio a vitória do PSD no passado dia 27 teria sido um fenómeno, digno de séria análise política. Mas uma outra razão teria tornado essa vitória uma verdadeiro “case study” político. Em confronto directo estiveram duas dinâmicas de campanha muito à imagem e semelhança dos respectivos líderes. O PSD optou por uma campanha sóbria, de orçamento controlado, distante das técnicas de marketing e do tom de festa triunfalista. Confiou que as razões que assistiam ao seu projecto (excessivamente dependente do descontentamento acumulado, assente na realidade mas muito defensivo) seriam suficientes para conduzir à mudança. Confiou que os Portugueses, eles próprios sujeitos a dificuldades se reveriam nesta escolha deliberada. Perdeu. Pelo contrário, o PS apostou nas mais modernas técnicas de campanha, gastou forte e feio, fez uma campanha profissional, calculada ao milímetro e sem erros políticos. Ganhou. Nada de novo.

Para quem gosta e olha para a técnica política de uma forma fria e não romântica era expectável. Goste-se ou não, no Séc XXI já só é possível fazer campanhas feitas à medida dos Media. Não basta ter razão, para o bem e para o mal, é preciso “vender” a imagem que se tem razão. Em ciência o erro é também e sobretudo uma oportunidade. E é como oportunidade que encaro o resultado das eleições do passado Domingo.

publicado por Eugénia Gambôa às 17:31

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