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12
Set 09

As sondagens mais recentes mostram que o descontentamento com o actual Governo não se traduz numa subida clara do PSD. Pior do que isso, o PS perde votos para a sua esquerda, o CDS, pela primeira vez desde imemoriais sondagens, está a subir e arrisca-se mesmo a ter um resultado superior ao expectável. O drama está, por isso, à vista: em caso de vitória, PSD e CDS não conseguirão a maioria absoluta.

E mesmo que o PS ganhe, os socialistas não conseguirão fazer uma coligação apenas com um dos partidos à sua esquerda, necessitando dos dois. O que, tendo em conta as personalidades dos respectivos líderes se afigura altamente improvável.

O quadro ainda fica mais negro se tivermos em conta os prazos constitucionais. O Expresso explicou os possíveis prazos de validade: O próximo Governo tomará posse em Outubro e tem seis meses de segurança, (se conseguir viabilizar um Orçamento de Estado). A partir de Abril de 2010, uma qualquer moção de censura poderá fazer cair o Governo, um risco que dura até Setembro. A partir desta altura, começam a contar os seis meses para as eleições presidenciais, o que permite que o próximo Governo volte a estar em perigo a partir de Março de 2011. Ou seja, qualquer que seja o vencedor, teremos, no melhor cenário, governo por cerca de dois anos.

Estas contas servem apenas para concluir o óbvio: a confirmarem-se estes resultados, PS e PSD terão de se entenderem para suportarem quem quer que seja o vencedor. Um entendimento que poderá ser meramente parlamentar e que cairá no dia em que o partido que estiver na oposição entender que, ou o Governo merece cair ou o partido que o suporta já não ganha as próximas eleições.

Se, por outro lado, PS ou PSD arriscarem um Governo de Bloco Central, acredito que será o fim da primazia dos dois principais partidos em Portugal: basta ver que, à esquerda e à direita, os chamados pequenos partidos podem somar cerca de 30% dos votos, o mesmo valor médio que PS e PSD têm à partida. Seja como for, o cenário é tudo menos agradável para quem governar nos próximos tempos.

Nunca tanto como por estes dias a frase de um general romano em carta ao imperador no século III A.C. teve tanto sentido - «Há, na parte mais ocidental da Ibéria, um povo muito estranho: não se governa nem se deixa governar!».

publicado por Francisco Mota Ferreira às 19:22

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