UM BLOG APOIADO PELO INSTITUTO FRANCISCO SÁ CARNEIRO

31
Ago 09

 

Por razões pessoais tive oportunidade de assistir ao reaparecimento em público do Presidente da República no passado dia 28. A função decorreu em Querença, belíssima aldeia no interior algarvio com requalificação recente, a visitar. O pretexto foi a inauguração da sede, auditório e biblioteca da Fundação Manuel Viegas Guerreiro. Como bem soube expressar o Professor Cavaco Silva, esta instituição, inspirada na vida e obra do antigo Professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, é uma verdadeira ilustração de que é possível combater as assimetrias e a dita interioridade com iniciativas assentes, fundamentalmente, na valorização das pessoas. Cavaco Silva convocou-nos, naquele cálido pôr-do-sol que se prolonga sem fim (como só se experimenta no barrocal), para a defesa da nossa identidade em todas as suas dimensões.
Neste âmbito, ainda recentemente comemorámos mais um aniversário de Dom Afonso Henriques, podendo meditar sobre a importância do território para a afirmação do todo nacional como realidade homogénea a caminho dos 900 anos. Conquistar e povoar esse território foram tarefas árduas e persistentes dos nossos antepassados. Com as devidas diferenças, impõe-se retomar esse esforço. Não tenhamos ilusões, se abandonarmos de vez qualquer parcela desse território, outros se posicionarão para tomar o nosso lugar, independentemente da forma que essa usurpação assuma. Ao contrário do que parece ser uma ideia vigente, há riqueza potencial em todo o território, mas, acima de tudo, existe a nossa herança cultural capaz de só por si funcionar como factor de atracção. Como referiu também na ocasião o Professor Cláudio Torres, a título de exemplo, a Serra do Caldeirão é uma enciclopédia viva sedenta de consulta. Posso testemunhar nesse sentido, pois ainda ontem a atravessei ao som das cigarras e observei em muitos rostos experiências ímpares de vida. O combate às assimetrias regionais nunca se fará contra ninguém. Trata-se de uma das mais nobres tarefas a que nos podemos dedicar politicamente, carecendo do máximo de congregação de vontades, favorecendo o reinventar das políticas subjacentes. O desenvolvimento regional tem forçosamente que se alicerçar num pressuposto de coesão, antes de tudo o mais, territorial. Os fundos disponibilizados através do QREN decorrem da política de coesão europeia, logo, são o veículo privilegiado para a materialização dessa política também à escala nacional. O Programa Eleitoral do PSD atenta nestas realidades, contudo, será preciso ir mais longe enquanto Governo, promovendo uma verdadeira reformulação da utilização desses fundos e suscitando uma reflexão profunda tendo em vista o próximo período de programação pós 2013. A verdade é que a mesma já se iniciou a nível europeu e é fácil de perceber que aumentaram muito os inimigos da dita política que até tem consagração nos Tratados. Espero que ainda cheguemos a tempo de nos juntarmos aos seus defensores, nomeadamente, apresentando bons resultados da sua aplicação actual.
publicado por Quirino Mealha às 19:24

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