UM BLOG APOIADO PELO INSTITUTO FRANCISCO SÁ CARNEIRO

11
Ago 09

O texto de opinião de José Sócrates no JN de hoje é um bom exemplo do que, genuinamente, separa o PS do PSD. Diz o PM que «o discurso da direita é dominada pelo pessimismo, pela amargura e pela resignação». Nada mais errado. O que a direita sabe e, mais ainda, teme, é que o verdadeiro estado do País esteja pior do que aquilo que se apresenta.

Sócrates, enquanto PM, tem (ou deveria ter...) consciência das contas do País. Considero por isso, irresponsável prometer este mundo e o outro em nome de uma suposta vitória eleitoral que está cada vez mais distante. Claro está que este Governo já nos habituou a promessas não cumpridas e, por isso, será, aparentemente, fácil prometer o que sabe que não pode cumprir.

Mas, mesmo que não seja este o caso, considero verdadeiramente escandaloso que, quem acha que a crise vem de fora, comportar-se como se Portugal fosse o Dubai. A visão de futuro e as reformas mobilizadoras que o PM tanto fala, os Portugueses já tiveram a experiência nestes últimos anos: Sócrates avançou contra tudo e contra todos e, quatro anos passados, nada de significativamente importante se alterou.

Que «dinamismo da sociedade» e «iniciativa dos seus agentes económicos» quer o PM, quando o Estado cilindra a sociedade civil, corta a iniciativa privada, prejudica as PME´s e conta com o apoio pontual dos grandes grupos económicos que, salvo raras e honradas excepções, estão sempre à sombra do Estado?

A confiança, que Sócrates tanto apregoa, por si só não basta. Considero aliás que o capital de confiança deste (des)Governo foi-se esboroando à medida em que a prática contrariava o soundbyte.

Tremo, só de pensar, que o caminho apontado por este Governo continua insistentemente a ser o investimento público, as obras de regime. Já se imaginam novas pontes desnecessárias, aeroportos inúteis, auto-estradas desertas, tudo em nome de um balão de oxigénio que cedo se esgota

Por outro lado, e numa altura em que se assiste cada vez mais ao falhanço do Estado social europeu, o PS e este Governo continuam a insistir em medidas cegas de políticas sociais que visam o combate à pobreza e a redução das desigualdades. Estes quatro anos conseguiram mostrar que, também aqui, o PS falhou: há mais pobres, há novos pobres e a crise atinge também a classe média, cada vez mais em dificuldades para chegar ao final do mês.

Mas trágico mesmo é o PM discorrer sobre o que considera sucessos de uma política governativa, que pouco fizeram para tirar milhares de Portugueses da miséria em que vivem. Prometer «reforçar ainda mais as políticas sociais, de modo a enfrentar os novos desafios do Estado Social» ou «o apoio à qualificação e inserção profissional dos jovens», tendo por base o pouco que foi feito nesta matéria, é tomar os Portugueses por tolos e considerar que estes aceitam um cheque em branco.

No dia 27 de Setembro, acredito que serão outras as respostas que a maioria dos Portugueses irá dar.

publicado por Francisco Mota Ferreira às 19:29

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