UM BLOG APOIADO PELO INSTITUTO FRANCISCO SÁ CARNEIRO

10
Ago 09

Para muitos eleitores a escolha no dia 27 de Setembro não será nada fácil. O cepticismo, o cinismo até, que vai vencendo o coração dos portugueses, torna estas eleições inúteis aos seus olhos. Mas não são inúteis. São cruciais.

Nos últimos 4 anos a classe média passou a recear muito seriamente pelos seus magros confortos que até então considerava “adquiridos”. Para seu grande choque percebeu que em Portugal a sua existência não estava assegurada. Os pobres entregaram-se ao desespero e ao fatalismo de quem compreende que a mobilidade social, a sua verdadeira aspiração, tornou-se cada vez mais uma miragem. Com os seus protestos raivosos contra a “desigualdade”, o PS e os seus aliados entretiveram-se a destruir as condições basilares da mobilidade social. As suas grandes vítimas foram, como não podia deixar de ser, os mais pobres. Já a juventude aprendeu a viver, mais ou menos resignada, com um muro de betão na sua frente, negador das suas aspirações e horizonte de possibilidades. Há muito que não se ouvia tanto falar em emigração, em desejo de emigrar e, o que é mais assustador, em não voltar. Aqui, dizem os jovens portugueses, uns com baixas habilitações, outros com estudos superiores, aqui os nossos sonhos não se realizam; aqui os nossos horizontes estão fechados. Querem diagnóstico mais preocupante do País do que este assim pronunciado por quem viverá o nosso futuro, e que diz que Portugal não tem futuro?

Durante os últimos 4 anos o País como que se esgotou. Esgotou-se do ponto de vista económico, psicológico, político e moral. A consequência não se fez esperar: o País empobreceu e os portugueses deixaram-se arrastar pelo cinismo e por uma triste resignação. Cada povo tem um temperamento diferente, é certo. Porém, o que os últimos 4 anos geraram na disposição portuguesa comporta riscos perigosíssimos. A começar pela eficiência e credibilidade das instituições. Por outro lado, no meio da degradação económica e da indiferença, corroem-se as qualidades necessárias para uma sociedade democrática saudável, dinâmica e próspera, em particular a responsabilidade. Falo da responsabilidade que cada vez menos marca os nossos comportamentos e atitudes na nossa profissão, na vida familiar, na esfera pública, na escola; falo da responsabilidade que traz rigor e exigência, sem a qual toda a conversa sobre excelência não passa de propaganda rasca; falo da responsabilidade que nos leva a assumir os fardos da vida colectiva.

O País mudou. Para pior. Mas em Setembro chegará a vez de o País falar. E dizer que quem o conduziu até aqui, a esta paragem árida e feia, não merece continuar.

 

(Publicado hoje no Diário Económico)

publicado por Miguel Morgado às 16:35

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