UM BLOG APOIADO PELO INSTITUTO FRANCISCO SÁ CARNEIRO

06
Ago 09

Quem já anda por aqui há alguns anos, sabe que, normalmente em Política, acontecem uma de duas coisas: ou nos esquecemos com facilidade do passado ou temos memória de elefante e sabemos que a História tende a repetir-se.

Sejamos francos. As últimas sondagens dão uma situação de empate técnico entre PS e PSD e é, por isso, natural, que as hostes socialistas estejam assustadas e aproveitem todos os mecanismos ao seu dispor para tentar inverter o actual ciclo de queda. É por isso que ouvimos os maiores dislates nos últimos dias e, temo, ouviremos muitos mais à medida que 27 de Setembro se aproxima.

Volto ao início. Há, inexplicavelmente, um interesse quase mórbido de jornalistas, comentadores, estrategas e opositores políticos do PSD em comentar tudo o que se passa na São Caetano à Lapa. E, infelizmente, como tão bem sabemos, nem sempre os sociais-democratas se portam à altura e acabam por dar o flanco em troca de supostos 15 minutos de fama.

Foi o que aconteceu esta semana. Mas também foi assim durante as lideranças de Luís Filipe Menezes, Marques Mendes, Santana Lopes. E, se fizermos um esforço e recuarmos, conseguimos lembrarmo-nos que também foi assim com Durão Barroso, Marcelo Rebelo de Sousa, Fernando Nogueira... Começou, aliás, logo no tempo de Sá Carneiro… Lembram-se?

(Um à parte: nos outros partidos, também convém ter memória. No caso do PS, parece que as pessoas já se esqueceram das lutas intestinas entre Guterres e Sampaio… Ou a confusão que foi a saída de Guterres? Ou como Carrilho era vaiado nos congressos? Ou o que os socialistas diziam da liderança de Constâncio? E da de Almeida Santos?)

Relativamente às escolhas da Direcção Nacional do PSD para as listas à Assembleia da República, estas foram feitas e são o que são. Pessoalmente, considero que há legitimidade política para as fazer. Pode-se argumentar que, se fossemos nós, escolheriam outros ou, num exagero exponencial, podiam-se mesmo apresentar novos nomes, jovens promessas ou ilustres desconhecidos. Nada disso esconde o essencial. E tentar explorar este facto é acessório.

Cada vez mais os resultados das eleições mostram que a maioria da classe política, os media e os comentadores da praça vivem num círculo fechado que pouco tem a ver a realidade. Dito de outra forma, ao Sr. Alcides de Cabeceiras de Basto pouco interessa saber se o deputado X ou Y foi escolhido ou preterido, se há polémica nestas escolhas ou não. O que o Sr. Alcides genuinamente sabe é que perdeu qualidade de vida nos últimos quatro anos e teme que, se o PS ganhar, as coisas possam ficar ainda pior.

É, por isso, importante e fundamental, que o PSD faça o seu percurso. Que apresente propostas credíveis. Que tenha a capacidade de mostrar à maioria do eleitorado que tem um rumo e sabe qual o caminho a seguir. Tudo o resto são balelas para entreter as hostes e tentativas desesperadas de quem já está a ver a porta de saída. É, por isso, fundamental, ignorar os apelos do mediatismo efémero. Não servem o País. Não servem o Partido. E, principalmente, não servem os Portugueses.

publicado por Francisco Mota Ferreira às 17:00

comentários:
As Listas do PSD e da discórdia. Muito sinceramente penso que independentemente das escolhas para as listas as quais não tenho conhecimento das pessoas em causa para me pronunciar, penso que é necessário que os critérios de selecção sejam claros para os militantes e para os portugueses. O que se passou ensombra a meu ver o bom caminho que estava a ser feito. Se não é possível a existência de critérios para as listas que se faça por votação interna pelos militantes e então depois os candidatos a deputados devem ser os mais votados em cada distrital. É necessário ouvir as distritais para escolher os deputados para as listas? Penso que o método a não ser este então que seja claro na forma como a Direcção Nacional escolhe os deputados pois penso que é vergonhoso ao que assistimos na televisão numa guerra entre as distritais e a Direcção Nacional. Sem unidade é impossível ganhar. Penso que é obrigatório para continuar o bom caminho uma cabal demonstração da forma como os deputados para as listas foram escolhidos. Só com uma política de verdade e com a respectiva transparência nos actos praticados é possível ganhar a confiança dos portugueses e neste momento foi abalada pela comunicação social quer seja com ou sem razão. Cabe ao PSD justificar as suas escolhas para restaurar a confiança já conquistada.
Abel Mascarenhas a 7 de Agosto de 2009 às 01:38

"as listas (...)foram feitas e são o que são.", "considero que há legitimidade política para as fazer". Isto é que se chama engolir sapos, Francisco.

Bem percebo que há algo superior e essencial a preservar, mas esse algo não se deveria reduzir a ganhar as próximas eleições, antes a catalisar o entusiasmo do país do Sr Alcides de Cabeceiras. Ora para este destino superior não indiferentes as escolhas, nem as posturas arrogantes, nem os desertos de promessas... Não concorda?
Vitor Lopes a 10 de Agosto de 2009 às 02:05

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