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03
Ago 09

O panorama de pobreza infantil, em que de acordo com o INE 23% dos menores de 17 anos são pobres, não se compadece com medidas artificiais de atribuição de 200 euros a cada nova criança, como recentemente anunciado no programa eleitoral do Partido Socialista. O apoio a políticas de natalidade que resulta no nascimento de crianças na pobreza não é decerto a intenção de um governo responsável.

 

Observa-se que Portugal terá uma das piores capacidades de promover a mobilidade social nos países da União Europeia, ou seja as crianças que nascem pobres, vão ser adultos e idosos pobres. A educação é um dos instrumentos para a promoção de mobilidade social e o desenvolvimento do indíviduo, todavia hoje em dia perante cenários de facilitismo das políticas educativas, o acesso a educação, nomeadamente superior, já não é por si só instrumento para promover a mobidade social, perpetuando ciclos de pobreza em várias gerações.

 

A exigência na educação é também um importante instrumento de mobilidade social, sem ela Portugal resultará como, por exemplo, o Reino Unido. Neste país, e de acordo com dados recentes da BBC e Sutton Trust, enquanto que o número de alunos que frequentaram o ensino privado é inferior a 10%, a percentagem de profissionais que estudou no ensino privado entre os magistrados é de 68%, Juizes 75%, gestão de empresas e bancos 70% e mesmo entre os deputados é de 32%. E por exemplo apenas 4% dos alunos de medicina são das duas classes económico-sociais mais pobres. Atenção Portugal: o sistema educacional terá de ser muito mais exigente se irá ajudar a promove a mobilidade social e reduzir a pobreza. 

publicado por Gonçalo Marques Oliveira às 12:09

comentário:
"enquanto que o número de alunos que frequentaram o ensino privado é inferior a 10%, a percentagem de profissionais que estudou no ensino privado entre os magistrados é de 68%, Juizes 75%, gestão de empresas e bancos 70% e mesmo entre os deputados é de 32%. E por exemplo apenas 4% dos alunos de medicina são das duas classes económico-sociais mais pobres."

Estes números nada têm a ver com a exigência do sistema, mas com a sua dualização e com o seu traço elitista. Ao contrário da maioria dos países da Europa Ocidental, o sistema britânico nunca foi alvo de uma verdadeira unificação: o "movimento compreensivo" que se iniciou nos anos 60 foi rapidamente travado por Margaret Thatcher quando foi Ministra da Educação em 1970.
As "grammar schools", que deviam ter sido abolidas, continuam a existir e a servir de "safe heavens" para as elites britânicas. É isto que explica os números que cita, não a exigência ou falta dela do sistema público.
Hugo Mendes a 8 de Agosto de 2009 às 00:28

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