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27
Jul 09

A necessidade de novas políticas para combater a pobreza e promover patamares de justiça e equidade sociais superiores em Portugal é, na opinião de membros do Partido Socialista, uma preocupação deslocada no discurso político da oposição, já que o recente relatório do INE sobre Rendimentos e Condições de Vida relativo ao ano de 2007 indica que o risco de pobreza se manteve nos 18% da população e que o indicador de desigualdade desceu para 6,1 (que compara com 6,5 no ano anterior) - ver a recente coluna de opinião do Semanário Expresso de 25 de Julho de 2009. Se se entender o que está em cada um dos indicadores verificamos que temos 18% da população com rendimentos inferiores a 60% da mediana da distribuição dos rendimentos monetários líquidos equivalentes nacionais. Este indicador é, por isso, uma medida relativa de pobreza indexada à evolução global de rendimento nacional. E apesar de esse ser o standard europeu, não será difícil de reconhecer que 60% do rendimento médio em Portugal é algo bastante distinto, infelizmente, de 60% do rendimento médio em Espanha. Complementarmente, a melhoria na dispersão de rendimentos entre os 20% da população mais ricos e os 20% da população mais pobres para 6,1 ainda nos coloca muito acima da União Europeia.

 

A necessidade na elaboração de novas políticas sociais para enfrentar esta realidade é de facto um motivo de preocupação, não só a evolução dos indicadores não é brilhante, como os seus estado actual reflecte a necessidade de desenvolver políticas de combate à pobreza infantil (com taxas de pobreza de 23%), à pobreza concentrada, à pobreza dos mais idosos (com taxas de pobreza antes de transferências sociais de 85%), à pobreza junto de famílias monoparentais e famílias com 3 ou mais crianças (com taxas de pobreza de 39 e 32% respectivamente) ou mesmo no aumento da pobreza na população com emprego. Este esforço é seguramente longo e superior ao tempo de uma legislatura, mas aparentes melhorias não podem desviar atenção da necessidade de promover políticas essencias para contribuir para mobilidade social. De facto Portugal é o país da União Europeia em que é mais seguro que os pobres permanecam pobres de ano para ano. Existe um tecto para as aspirações que 2 milhões de portugueses podem ter na nossa sociedade. É este tecto que devemos combater como melhor caminho para um efectivo combate à pobreza.

publicado por Gonçalo Marques Oliveira às 15:18

comentário:
A solução para a diminuição drástica da pobreza não é a implementação de políticas sociais que servem, e bem, para atenuar as dificuldades sentidas por uma parte considerável da população.

A única solução é o crescimento económico sustentado que não depende assim tanto do Estado, mas sim da sociedade, das empresas, do tecido industrial. O que o Estado deve fazer é não atrapalhar.

Seria interessante que o PSD desse uma ideia clara de qual é a sua visão da pobreza e da solução que entende ser a melhor para a enfrentar.
João Neto a 27 de Julho de 2009 às 16:24

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