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21
Jul 09

O candidato derrotado nas presidenciais americanas, John Mccain, disse, numa frase memorável, que “a democracia não está à venda”. Eu também acredito nessa ideia, e gostava que os nossos governantes demonstrassem isso mais vezes.

Portugal é um caso raro numa sociedade democrática. Ao longo dos últimos anos fomos conhecendo casos de negócios ruinosos para o Estado, sem que isso tenha tido consequências para os seus autores. Ainda esta semana foi tornado público, através de um relatório do Tribunal de Contas, que o ministro Mário Lino fez um negócio com a Mota-Engil lesivo dos interesses do Estado. Sabemos que em muitos países democráticos, este ministro teria os dias contados, pois é inadmissível que este tipo de contratos sequer existam. Mas em Portugal, normalmente, os seus autores passam incólumes por este tipo de situações.

O próximo governo deverá ser exigente consigo próprio e criar condições para lutar contra o desperdício dos recursos públicos, encarando os negócios de Estado como o garante inequívoco da defesa do bem comum. A maior parte das pessoas parece acreditar que os políticos estão mais interessados nos proveitos pessoais do que no serviço público. Infelizmente, temos tido casos que parecem dar razão a esta ideia.

Isto é também uma questão de ética, ou falta dela, e que deveria nortear a acção do governo.  É lamentável que nem sempre exista transparência na forma como o Estado intervém com os privados. Exemplo disto foi também a concessão directa para o fabrico de centenas de milhares de computadores, transformando de repente uma pequena empresa no líder de mercado da venda de portáteis em Portugal. É preciso que não existam dúvidas neste tipo de negócios, até para a protecção de todas as partes.

Sejamos justos: o país não aguenta mais estes comportamentos danosos para o seu desenvolvimento. Portugal precisa de um governo que sirva o país e não interesses particulares. Manuela Ferreira Leite tem o rigor e a transparência associada ao seu percurso politico, mas é importante que PSD faça da ética uma frente de batalha, depois dos últimos quatro anos.

publicado por Nuno Gouveia às 23:20

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