UM BLOG APOIADO PELO INSTITUTO FRANCISCO SÁ CARNEIRO

01
Jul 09

Os Portugueses estão pessimistas. Muitos estão mesmo resignados ao fatalismo de sermos uma sociedade bloqueada e medíocre. Têm o sentimento que “sempre fomos assim”.
Há consciência das dificuldades que vamos ter de viver e uma profunda descrença na possibilidade de mudar o país.

Não se acredita num futuro construído por nós próprios. A preocupação é aguentar o melhor possível, ter esperança que a economia europeia recupere e que Portugal seja arrastado por essa recuperação.

Esta é uma realidade. Mas também é verdade que mesmos os mais pessimistas querem voltar a acreditar, voltar a ter esperança, sentir orgulho num país, que apesar das dificuldades, traça o seu próprio destino e é capaz de vencer.

Apesar do desânimo e do desencanto, há, também, um profundo inconformismo com a situação do país e um sentimento que é possível mudar. Há uma vontade de mudar.

Esta realidade vem criar uma enorme responsabilidade para os que defendem uma nova política, exigindo a apresentação ao país de um programa político estruturado, que proponha o necessário e não apenas o possível.

Temos de centrar a actividade política na discussão de novas propostas.

É importante avaliar e criticar o passado e o presente, mas é cada vez mais importante falarmos do futuro.

Temos de debater, discutir e mostrar de forma empenhada que as opções que propomos são as correctas.

O debate de ideias só nos pode favorecer. Apresentando as nossas causas, debatendo as nossas propostas, os Portugueses sentirão que é tempo de um novo tempo.

As nossas causas deverão ir ao encontro dos anseios dos nossos concidadãos. Devem merecer especial atenção o emprego, a pobreza (em especial dos jovens e dos velhos), a educação (em especial o ensino secundário), a coesão económica e social regional, a saúde (em especial a acessibilidade e a garantia que continuaremos a ter no futuro um serviço público de saúde de qualidade) e a justiça.

Temos também de continuar a renovar o discurso político, sejam quais forem as consequências imediatas. É necessário falar verdade, recusar o populismo e ser realista sobre o momento historicamente difícil que se vive, sobre os sacrifícios necessários e relativamente às propostas apresentadas.

É necessário também reafirmar claramente as nossas opções ideológicas, em especial a nossa ambição de reforçar a sociedade civil. Acreditamos na liberdade dos cidadãos para construírem com autonomia o seu destino. Mais do que no Estado, acreditamos na iniciativa e capacidade dos cidadãos, das empresas e do sector social para garantir o nosso futuro.
 

publicado por Novas Políticas às 09:34

comentários:
Diz bem, falar verdade é necessário. Não é pela mentira contibuada, mas pela verdade que se consegue restabelecer a confiança dos cidadãos e a motivação, o ânimo e a energia para sair da crise, de todas as crises.
a. pinho cardão a 1 de Julho de 2009 às 10:26

Sejam bem aparecidos e bom trabalho!
João Neto a 1 de Julho de 2009 às 16:39

Parabéns ao autor do texto e à equipa ligada ao IFSC que colaborará no blog. Faço votos para que das discussões/debates que aqui ocorrerem exista uma razoável (uma forma suave de dizer forte) incidência em questões ideológicas e que daí resultem mais valias a prazo. Sou social-democrata (no sentido português do termo) e bem sei que esse tipo de opções tem uma forte componente afectiva, mas também racional. O problema está na última dimensão. Quando cada um de nós, simpatizante ou militante, se auto-questiona sobre o sentido de se ser PSD, não duvido que sobrem muitas interrogações. O trabalho de fundo que o PSD necessita de fazer para consolidar a sua identidade política a longo prazo não é o de partir de definições de social-democracia feitas (prontas a consumir), nem de esperar que sejam os seus líderes/elites a definir o conceito (é um partido de muitas classes, isto é, socialmente transversal), nem ainda é o de se limitar a olhar para o passado à procura algures «da» definição «pura» (um partido é sociedade, é força viva). A forma mais eficaz de se lidar com o debate ideológico, na minha opinião, é a de captar com propósito (já agora método) as ideias-chave que fluem nos discursos de senso comum desta área política. Até para nos distanciarmos dos cada vez mais impróprios termos «esquerda/direita» ou daquilo que se convencionou chamar «opinião publicada». Espero que este blogue seja, nesse sentido, uma grande ajuda. Não para que o seu produto seja avaliado «a quente», mas sobretudo enquanto suporte para análises posteriores. O complemento poderiam ser, por exemplo, entrevistas sistemáticas (relativamente abertas quanto ao guião) por esse país fora com militantes de diferentes tipos sociais, para captar o sentido dos seus discursos, com interesse genuíno em chegar a sensibilidade de quem vive o dia-a-dia. Se a política é, na essência, tudo o que resulta das relações entre as sociedades e quem as tutela (no nosso caso o Estado), o trabalho seguinte seria o de isolar um conjunto de temas nos quais mais incidirem as opiniões das pessoas, caracterizá-los e ver que atributos os social-democratas comuns conferem ao PSD nesses processos (o que existe) e o que gostariam de ter (o desejável). Bem sei que é um trabalho moroso, que pode e deve ser complementado por inquéritos/questionários, mas era importante que um dia fosse feito. É decisivo que se caracterize o PSD «de baixo para cima». Não duvido que todo e qualquer ser social é um ser pensante, como todo e qualquer cidadão. É preciso é encontrar formas através das quais as pessoas exprimam a complexidade dos seus discursos. É claro que daí não resultaria nada de «puro» em termo de concepções ideológicas. Mas poder-se-iam tipificar, com segurança, tendências, muitas delas quiçá fortes, do pensamento social-democrata português (não necessariamente coincidente com o pensamento dos intelectuais social-democratas). Quem confundir este desafio com «populismo» é porque ou a minha mensagem não está clara ou não a entendeu. Se há partido em Portugal que é uma realidade viva no plano ideológico, esse é partido é o PSD. E se as ideologias implicam olhares selectivos sobre o real (há aspectos que se vêem, outros que se omitem e outros que se olham de determinada maneira), a pergunta é: como é que os social-democratas olham para o mundo que os rodeia. Quem ousar responder sem um trabalho empírico bem fundamentado poderá estar a optar por uma ilusão, por muito que lhe cole o rótulo PSD. E as ilusões muitas vezes têm um preço elevado. Aqui fica o meu desafio a cidadãos, políticos, analistas, académicos e outros que passarem por aqui. Uma vez mais, parabéns!
Gabriel Mithá Ribeiro a 1 de Julho de 2009 às 17:34

É tempo de agir. Combater o pessimismo reinante com seriedade na acção política. Desafiar para a mudança com propostas eficazes. Alexandre, de facto, "é tempo de um novo tempo"!
Ana Zita Gomes a 1 de Julho de 2009 às 17:47

Excelente iniciativa!

Congratulo-me pelo facto do Instituto Sá Carneiro apostar nos novos meios de comunicação para fazer passar a sua mensagem e, sobretudo, para dinamizar o debate político sério e elevado.

Desejo o maior sucesso a este novo espaço e um bom trabalho para todos os autores.
André S. Machado a 2 de Julho de 2009 às 21:36

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