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20
Jul 09

 

A tipologia do crime em Portugal aproxima-se da existente na restante Europa. Temos, no entanto, um risco acrescido, eventualmente colateral: a vizinhança de Espanha, esta sim, uma importante porta de entrada do crime organizado no espaço europeu. A questão da imigração como factor de aumento de insegurança não se colocará, como regra, no nosso país mas coloca-se certamente em Espanha, povoada por mais de quatro milhões de imigrantes em crescendo, apressadamente legalizados e mal integrados pelo socialista Zapatero (sobretudo os africanos e leste europeus). Parece-me expectável que o "mercado ibérico" também o venha a ser em matéria de criminalidade organizada e violenta.

O problema da segurança em Portugal é, essencialmente, um problema de "governance" e de estrutura. Temos diversas forças policiais disseminadas por vários ministérios e tutelas - até ver, a ASAE ainda é polícia de investigação criminal... - acentuando-se assim as dificuldades de coordenação, essenciais na repressão do crime, hoje melhor organizado e dotado de meios equiparados, em muitos casos, às polícias. Só no MAI, existem três polícias "nacionais"; no MJ, a Judiciária; no MDN, a Autoridade Marítima; no M.Economia, a ASEA. Este governo, em nada ajudou para contrariar a atomização deste sistema. Pelo contrário, criou a ASAE e o Secretário Geral do Sistema de Segurança Interna, multiplicando orgãos e níveis burocráticos, sem que daí advenha mais eficácia e, muito menos, mais eficiência. Em vez de novas abordagens na prevenção, aposta-se na repressão, sempre tardia e para efeitos mediáticos. Em vez de novas soluções para uma maior operacionalização dos polícias e guardas, libertando-os de tarefas administrativas, o PS carrega o Estado (todos os contribuintes) com mais polícias, apressadamente atirados para missões de patrulhamento por vezes em zonas críticas e de alto risco. Portugal já tem um "ratio" de polícias superior à média europeia mas o governo insiste nas soluções mais fáceis e comprovadamente menos eficazes, embora muito mais dispendiosas.

Neste limbo da política de segurança dos últimos anos, o moral dos polícias vai decaindo, ao ponto de aumentar o número de suicídios na GNR, o número de desistências nas escolas de polícias e o número de baixas médicas, assistindo-se agora ao estalar de conflitos inter-policiais públicos que nos aproximam da mais lamentável tradição latino-americana. É assim necessária uma nova abordagem que passe por uma nova organização territorial das polícias, aproveitando o que a tecnologia hoje nos oferece, por uma cadeia de comando funcional, capaz de integrar as informações policiais e criminais e de providenciar a tal liberdade em segurança que este governo nos retirou.

publicado por Pedro Esteves às 22:54

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