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17
Jul 09

Portugal vive actualmente num clima de insegurança que o Governo tem-se esforçado por relativizar. Seja pelos ditos complexos de esquerda, seja por as várias bancadas políticas na Assembleia da República terem a sua visão muito particular nesta matéria, o facto é que pouco tem sido feito para que esta questão seja discutida sem falácias ou falsos moralismos.

Um dos problemas decorrentes do aumento da criminalidade em Portugal deve-se à falta de autoridade. A Polícia ganha mal, não é respeitada e, infelizmente, em muitos casos, também não se dá ao respeito. E quando exerce a sua autoridade, usando armas de fogo, quando estão esgotadas todas as outras opções, que Deus os livre de ferir ou matar um criminoso. Arriscam-se a um processo, trabalho burocrático ou prisão, como tão bem sabemos.

Alie-se a tudo isto os lobbies das corporações – por exemplo, a PSP, a quem cabe formar Polícias Municipais, abre concursos a conta gota, que acabam por apenas colmatar as saídas para reforma - as dificuldades que as cidades têm de ter um verdadeiro corpo de Polícia Municipal com capacidade para actuar em todas as áreas, a colocação de jovens agentes com cócegas no gatilho em bairros problemáticos, o excesso de burocracia, a dispersão das forças policiais e a falta de apoio que a Polícia tem em várias vertentes da sociedade e tem-se, infelizmente, um enorme problema entre mãos.

Depois, temos também a questão das prisões. Não há uma verdadeira política de reabilitação para quem pisou o risco. Muitas vezes, quem esteve preso, acaba por sair pior do que entrou e a ausência de verdadeiras oportunidades laborais (quem dá trabalho a alguém com cadastro???) empurra-os novamente para os braços da criminalidade. O Estado deve ter aqui uma palavra a dizer e uma função social a cumprir.

Outro ponto diz respeito à imigração que, goste-se ou não, acaba por estar inevitavelmente ligado à insegurança e à criminalidade. Já não chego ao ponto de falar nos rácios existentes de estrangeiros entre a população criminal, que são brutais, e não entro no discurso, que querem sempre empurrar a direita, que os imigrantes são criminosos. Felizmente não são. Mas, como sabemos, há criminosos que são imigrantes.

Precisamos por isso, de uma verdadeira política de imigração. Uma política que, sem medos, defina quotas anuais, que avalie onde há reais necessidades de emprego. Portugal, país de emigração no passado, tem obrigação de aprender com a sua História e abrir as portas a quem quer, genuinamente, melhorar as suas condições de vida. Mas tem de ter a coragem de expulsar quem não quis aproveitar a oportunidade que lhe foi dada e entrou num caminho de facilitismo e criminalidade. Sem complexos de esquerda ou de direita, mas, acima de tudo, com vontade de cumprir a principal missão para a qual os Portugueses confiam nas instituições: a segurança dos seus nacionais.

publicado por Francisco Mota Ferreira às 17:00

comentários:
Caro Francisco Mota Ferreira
A pior porta de entrada no debate sobre (in)segurança é associá-la à imigração. Não nego radicalmente as associações que faz. Apelo antes à ponderação no discurso político. É tão parcial associar (in)segurança e imigração quanto associar reforço da autoridade do Estado e racismo. A «direita» é acusada do primeiro preconceito pela «esquerda» e a «esquerda» do segundo pela «direita». A verdade é que ambas põem-se a jeito e não se resolve uma associação errada, por vezes até demagógica, com outra associação de igual calibre. Nesta fase creio que era muito útil separar as águas, analisando cada tema de forma autónoma (segurança; imigração/emigração; autoridade do Estado; desigualdades sociais), e entrar por uma porta mais equilibrada que é, por exemplo, a questão dos problemas sociais ligados ao urbanismo. E nós, social-democratas, nessa matéria não devemos ter ousadia de dar lições a quem quer que seja. Por outro lado, enquanto imigrante naturalizado, não posso deixar de referir que a utopia do imigrante de sucesso (com tudo o que de subjectivo tal ideia acarreta) em Portugal é praticamente inexistente. É evidente que tudo pode e deve ser discutido, mas numa perspectiva de cidadãos do mundo. É ao nível da libertação de precoceitos que o PSD tem um forte contributo a dar. Para terminar, é precisamente a este nível que vejo com alguma preocupação a forma como se está a discutir a liberdade de escolha da escola pelos pais. No abstracto e no imediato isso pode ser considerado óptimo. No concreto e a médio/longo prazo pode fazer rebentar nas mãos do PSD a bomba da segregação social. E depois? E esse é um dos problemas estruturais em Portugal de tal modo óbvio que só não vê quem não quer.
Saudações.
Gabriel Mithá Ribeiro a 17 de Julho de 2009 às 18:51

O facto da Polícia ganhar mal não pode constituir um factor descupabilizante para o não cumprimento da lei e actuar dentro do quadro de competências que,por lei, estão cometidas. E, na verdade, as polícias detêm tantas competências, as quais não se resumem à matéria criminal( embora essa seja a mais relevante e a que mais dá nas vistas do povo , da opinião pública e imprensa).
Americo castro a 20 de Julho de 2009 às 10:55

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