UM BLOG APOIADO PELO INSTITUTO FRANCISCO SÁ CARNEIRO

13
Jul 09

As novas tecnologias constituem um mar de oportunidades também para a Administração Pública. Hoje em dia os governos gastam milhões na aquisição de software para a gestão da coisa pública. Uma sociedade moderna e eficaz é incompatível sem a informatização dos seus sistemas públicos. E aqui entra esta questão, que deve ser repensada por quem governa o país.  

Existem diversas ofertas na área da informática, mas nem sempre os gestores optam pelas melhores soluções, e mais grave ainda, pelas soluções mais baratas. Alguns países têm caminhado no sentido da adopção de políticas mais baratas, utilizando programas em regime de software livre. Recentemente, foi noticia que os já famosos computadores Magalhães iriam adoptar o sistema operativo Linux, que como sabemos, é grátis. Mas o resultado final foi que acompanhando o sistema com base Linux, Caixa Mágica, lá surgiu o Windows, que comporta licenças nem sempre baratas. Se existem áreas onde o software livre não constituí ainda uma opção credível, muitos são os casos em que existem alternativas.

Países como o Brasil, Filipinas ou a Rússia têm vindo a adoptar o Linux nos sistemas públicos de ensino, e algumas regiões da nossa vizinha Espanha têm caminhado no mesmo sentido. Mas, por exemplo, imagine-se o que o estado não pouparia em utilizar o sistema operativo Linux. Quantos milhões se poupariam em licenças? Outro exemplo: a Administração Pública gasta milhões todos os anos em licenças do Microsoft Office. Não seria uma boa ideia adoptar o OpenOffice, uma ferramenta gratuita e que oferece os mesmos conteúdos aos seus utilizadores?

Há imensas dificuldades neste debate, nomeadamente a falta de formação das pessoas, e o desconhecimento quase total desta realidade, mas quantos milhões se tem gasto em programas de formação, que, muitas vezes, pouco ou nada servem?

Este é uma discussão excessivamente técnica, e no qual deveriam intervir especialmente os especialistas em informática. Mas existem à partida vários preconceitos e interesses contra o software livre. Além do seu baixo custo, que em assuntos públicos nunca se deve menosprezar, existe também a ideia que por ser software livre, isso retira fiabilidade e segurança aos produtos, o que é desmentido por variadíssimos experts.

Gostava que esta discussão, que está a decorrer em muitos países, atingisse o nosso debate politico. Apenas discutindo e conhecendo as ofertas em cima da mesa se poderá optar pelo melhor. E nem sempre tem sido assim na Administração Pública.

publicado por Nuno Gouveia às 20:42

comentários:
O problema principal não é a escolha entre software livre ou proprietário, mas sim o excesso de funcionalidade. O utilizador típico não precisa sequer de 10% dos recursos que lhe são postos à disposição. Não é são saber usar, é mesmo não precisar. Os custos acrescidos, directos e indirectos, por ter mais "tralha" no computador (que percentagem das pessoas precisa realmente de um programa tão sofisticado como o Word?) são absolutamente brutais. É dinheiro deitado literalmente ao lixo.
Tiago Azevedo Fernandes a 13 de Julho de 2009 às 21:52

De facto o software proprietário, por vezes, tem mais valências, mas que são desnecessárias ao utilizador comum. Nesta questão, a AP poupava milhões ao adoptar software livre. O caso do OpenOffice é paradigmático....

Hum, isso não é assim tão linear. Por vezes o facto de o software ser mais refinado (seja ele livre ou proprietário) facilita o trabalho, não é apenas uma questão de ter coisas a mais. A questão é que, nesse exemplo do processador de texto, muita gente não precisaria nem do MS Office nem do OpenOffice, bastar-lhe-ia o WordPad ou qualquer outro programa bem mais simples do que os 2 primeiros.

Em primeira instância, preferia começar pela mudança de mentalidades que tem de ser efectuada na AP. Os vícios instituídos são muitos. As aprendizagens assimiladas pelos funcionários da AP não estão adequadas ao paradigma tecnológico pelo qual passamos. É preciso voltar a formar e dar a entender que um software um computador não passa de uma ferramenta de trabalho.
Parece-me correcto dizer que actualmente deixamos de usar um martelo de cabeça lisa e temos ao nosso dispor um martelo de orelhas. Os funcionarios da AP sabem usar as orelhas ?
A meu ver, devemos avançar quanto antes para a adopção de software livre, quer a nível de desktops, quer a nível de ser servidores. Desktops com linux mais as aplicações de produtividade e os servidores com a panóplia de serviços que devem fornecer. Backups, mail, BD, controlo de utilizadores, proxy um sem fim deles.
Não há justificação para não usar software livre, e quando a há a mesma surge de individuos sem formação na área que percebem tanto de informática como de bola. Refiro me claro aos treinadores de bancada.
Os casos de sucesso existem e são muitos, quem não vê é porque não quer ver.
Deixo para consulta o caso da CM.Portel que tem efectuado um esforço imenso na introdução do software live na autarquia. As vezes com mais outras vezes com menos sucesso. O importante é que se esta a criar as bases, os fudamentos para daqui em diante um utilizador se torne independente do que aprendeu e passe a poder aprender mais, melhor e com menos custos para o contribuinte.
Pedro Ferreira a 14 de Julho de 2009 às 15:22

O Software Livre tem várias vantagens e várias desvantagens: Quem gosta vê mais vantagens; Quem não conhece ou não gosta APENAS vê desvantagens. Principalmente do ponto de vista técnico, o qual não me vou alongar em detalhes, mas fica a nota de que os técnicos que apenas conhecem Microsoft acham que são donos da razão. Pelo meio temos a reacção, quase sempre negativa, dos próprios utilizadores que imaginam uma carga de trabalhos a aprender uma nova "coisa". A natureza humana não falha: O medo do desconhecido aliado à aversão de mudanças, mesmo que para melhor, dá sempre origem a uma panóplia de argumentos interessantes, principalmente porque partem de utilizadores que não sabem do que estão a falar. E para terminar, e não digo que seja exclusivo da AP, temos os nossos políticos, que gostam muito de se rebaixar quando o Sr. Bill Gates vem a Portugal assinar acordos. Não quero acreditar nisso, mas um colega meu diz que se o Software Livre desse dinheiro já havia Linux em toda a AP...
Rui Gouveia a 14 de Julho de 2009 às 15:26

A opinião expressa poderá ser melhor fundamentada através de um debate aberta a outros pontos de vista. Porque não convidarem outros actores da sociedade civil ANSOL , ESOP ) e organizarem um debate. Por mim estarei muito interessado em participar.
Rafael António a 14 de Julho de 2009 às 15:54

Nem é tanto a questão de ter "software a mais", mas é mais a questão de procurar software livre alternativo .... !!
Se o futuro governo adoptasse o software livre, em vez do software da microsoft, pouparia milhões .... !!
O q aliás já se está a realizar em muitos países .... !!

Mas eu penso, que isso não seria suficiente, teria q haver formação quer pros políticos quer pros funcionários q ainda não tiveram contacto com o software livre.
Por exemplo, à priori não é muito fácil migrar do photoshop pro gimp, mas havendo formação sobre gimp, chega-se lá .... !!
Tirandp o facto q existe imensa documentação na net sobre isso ... !!
José Filipe a 14 de Julho de 2009 às 16:27

Realidade:
Muitas boas empresas têm gente nos quadros a trabalhar como "informáticos" que são de outras áreas , são "desenrascados" mas quando se toca na palavra Linux, OpenOffice...é obvio que vão defender a não mudança de Sistema Operativo para não admitirem que provavelmente não estão aptos à mudança.
Já vi de tudo, gente capacitada sem canudo, gente inapta com cursos na área... de tudo existe, mas grande parte das empresas querem pagar pouco, meter um amigo "artista" e depois dá no que dá...
Se quando as empresas tivessem de pagar novas licencas pagassem 40% do valor ao administrador para mudar para Software OpenSource / gratuito , poupavam dinheiro e reinvestiam no mercado nacional.
lmaia a 14 de Julho de 2009 às 17:15

Acho que tens toda a razão. Os "artistas" a trabalhar como informáticos são mais que muitos. O problema é que a maioria dessas pessoas só trabalha com microsoft. E tal como acontece com qualquer outro funcionário, a resistência à mudança é muito grande além de que não se aventura a trabalhar com software com o qual não se sente à vontade porque nem sequer experimentou.
O problema é que depois aconselham mal quem manda. E continuamos a pagar desnecessariamente as licenças que contribuem à grande para o incremento da despesa pública.
Rita Rainho a 15 de Julho de 2009 às 13:37

Provas de fiabilidade vi alguém a dizer... Não sou informática e não me quero meter em especificações técnicas. No entanto basta pensar um bocadinho. E quantas vezes nos crasha o pc com o Windows instalado? Quantas vezes o Office simplesmente pára e lá se vai o trabalho? Não me parece que seja por aí.

Parece-me que o principal problema reside na falta de coragem da parte dos administradores das instituições públicas. Vê-se frequentemente que a principal resistência à mudança se prende com os comentários do utilizador comum que, sem perceber nada de informática, apenas analisa a facilidade com que trabalha com o pc que tem à sua frente.

Infelizmente, para muitos dos nossos funcionários públicos, a facilidade em trabalhar com os programas resume-se ao facto de achar que é ou não bonito e à sua resistência crónica à mudança. Tudo o que seja diferente é mau. E nem tentam saber mais. E os administradores não mudam para não ter de se chatear ou arriscar um motim, pois infelizmente os resistentes constituem a maioria dos funcionários de uma instituição.

Faz falta formação para os utilizadores, sim, mas também é preciso coragem para uma mudança radical. Experimente-se eliminar microsoft das instituições e é ver os funcionários a trabalhar com software livre, mesmo sem formação. Que se há uma coisa que o português não é é burro.

Numa altura em que se fala tanto em cortes das despesas, como é que o Governo continua a incentivar o software pago? Veja-se o caso das escolas. Ainda há 2 meses a escola onde trabalho recebeu pcs com licenças pagas para utilização de Windows Vista. E não se contratam professores porque não há dinheiro.
Rita Rainho a 14 de Julho de 2009 às 17:16

Eu pessoalmente, cansei-me do windows, dos problemas com antivirus (mesmo sendo dos melhores - mcaffe), da lentidão do windows, das vezes q crashava e mostrava aquelas mensagens enviar / não enviar ... !!

Mudei definitivamente pro Fedora Linux, há cerca de 5 anos, e é uma maravilha: arranca em 20 seg (vs 5 min pra windows), tem todo e mais qq software livre, é bastante rápido, não fica mais lento por ter muitos programas abertos (às vezes tenho uns 20 programas abertos e ele sempre a dar gás) .... !!

Se as pessoas se apercebeçem com o que lucram com software livre há muito q tinham mudado ... mas há aquela resistência à mudança ... talvez em parte por falta de informação ...!!
José Filipe a 15 de Julho de 2009 às 11:26

Obrigado a todos pelos comentários pertinentes. Só assim é possível estabelecer um debate saudável sobre o tema....
Nuno Gouveia a 15 de Julho de 2009 às 00:15

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